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3 de Abril de 2020

Discriminação Social e Preconceito

Uma outra visão do programa de cotas

Publicado por Jorge Gesteira
há 5 anos

A análise dinâmica das questões sociais que são apresentadas nos dias de hoje demonstra a total falta de visão daquilo que as pessoas supõem como essencial no combate ao preconceito. A Constituição Federal, desde sua primeira publicação em 1988, já instrui que "todos são iguais perante a lei", porém, aqueles que antes sofriam o preconceito dos outros hoje se apresentam como os maiores preconceituosos ao reivindicar direitos que já possuíam e não tomavam conhecimento.

Longe de criticar àqueles que lutam por cotas disso e daquilo, observo que as pessoas envolvidas na questão não percebem o quanto elas se auto-discriminam com elas, pois dão a impressão de incapacidade de alcançar seus objetivos por méritos próprios. As pessoas dizem que há diferenças entre a educação do negro e do branco, do rico e pobre, ou mesmo do homem, da mulher e do homossexual. Não. Não é bem assim!

Estudei em escola pública até a oitava série. Minha professora da segunda série, naquela escola precária de recursos, chegou um dia na sala, viu que alguns alunos faziam bagunça na sala, chamou todos ao silêncio e disse: "Vocês estão aqui para aprender. A função de cada professor é ensinar a vocês da melhor maneira possível. Mas, se não houver o interesse de vocês, nada do que for ensinado será aprendido. A escola não faz o aluno, mas o aluno faz a escola!"

A lição dessas palavras entrou na minha cabeça de forma coerente e precisa.

Estamos acostumados a criticar a educação escolar como deficiente, mas esquecemos de perceber que ao está existindo interesse no aprendizado hoje como no passado. Os bons alunos estão limitados aos recursos que suas escolas dispõem, mas se compararmos o hoje com o passado veremos que os alunos de hoje t|êm muito mais benefícios que os de ontem.

A responsabilidade dos governos com as verbas educacionais na provisão de merenda escolar e livros didáticos de boa qualidade, a passagem gratuita para estudantes da rede pública e a aprovação automática não existiam antes. Quando da minha infância, caminhava três quilômetros até o colégio, lanchava um pedaço de pão com manteiga no intervalo do recreio e voltava os mesmos três quilômetros para casa sem reclamar, fazia os deveres de casa, brincava sozinho ou com os poucos colegas que tinha e mantinha minhas notas num patamar sempre bom.

Se hoje as matérias estão mais complexas, cabe a cada família instruir suas crianças cobre o necessário interesse para que seu aprendizado flua.

Daquela época para ca, colegas meus se formaram:

  • um que é negro formou-se em psicologia e se tornou um profissional respeitado;
  • um que é gay assumido formou-se em engenharia e foi trabalhar na UERJ como professor e um dos principais formadores de bons profissionais;
  • uma negra formou-se em comunicação e tornou-se uma profissional altamente solicitada.

Isso fora outros casos. Mas, será que eles não sofreram preconceito? Lógico que sim. Mas venceram todos os obstáculos por suas qualificações. Não tiveram ou buscaram cotas.

Hoje, devido às cotas, um concurso pode aprovar e investir um cotista que teve 65% de aproveitamento em detrimento de um não-cotista que teve média de 85%.

Assim sendo, fica a minha preocupação de que, com o passar do tempo, cada vez mais cresça o desinteresse de muitos devido a um programa que cria a 'diferença discriminatória' como norma que desvaloriza o esforço e o investimento daqueles que ficaram sem suas vagas.

Enfim, o que buscamos? Igualdade? Não! Buscamos uma forma de transformar o preconceito em benefício ao invés de exterminá-lo.

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